A chegada


Como broto que surge onde não devia

Tateia entre pedras, enquanto luta sem cessar

Pela centelha que precisa, que arranca o ar e devolve

Se rompe, de dentro para fora

Mesmo quebrado se ergue

Se desfaz, se nega e sai.


Só um broto se atrevendo a existir

Insistente, procura a saída

Sem espera, se força sobre o que fica

Força o crescer, descobre a dor e chora

Contra o peso da terra que afoga

Nada no escuro em busca do sol.


Chove o brilho que desperta, caindo como véu

Encharca a alma de alívio

Respira, tomando da vida e devolvendo

Se apega à luz que mantém vivo

Deixando seus vestígios como beijos

Confundindo o que é com o que pode ser.


Os ventos vêm, empurram e arrastam

Levando pedaços dos que aqui estão

Dos maiores que testam e humilham

Obrigando a resistir se quiser crescer

Caem os golpes dos grandes e continuam

Cortam a alma, fazem suas marcas e observam.


Ainda assim, se espreme entre eles

Sugando forças das profundezas escuras

Enquanto cresce, se faz notar indesejado

Chegando como todos, pelo caminho da fissura

Sem pensar em sentido, se é que há

Deixando suas fraquezas caírem, enquanto muda.


Poema "A chegada" do livro Insistência, Vida e Poesia.